QUARTA-FEIRA, 20 DE JUNHO DE 2018
DATA: 12/01/2018 | FONTE: Assessoria Japoneses fazem de Terenos a cidade dos ovos

Da diáspora japonesa no pós-guerra à reconstrução de vidas em Mato Grosso Sul através do cooperativismo. Essas são as duas pontas de uma história de quase 60 anos de imigrantes japoneses, vindos da província de Yamaguchi e que fizeram de Terenos a capital sul-mato-grossense dos ovos. 

Nesse pequeno município, com 20 mil habitantes, 25 quilômetros ao norte de Campo Grande, está a Camva (Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre), formada por imigrantes em área adquirida pela Jamic (Japan Migration and Colonization), empresa governamental que estimulava a migração japonesa através do financiamento de compra de terras.

O diretor-presidente da cooperativa, Reinaldo IssaoKurokawa, conta que a migração para Terenos ocorreu em 1959 e 1960, quando os japoneses se recuperavam (processo que continua, de alguma forma, até hoje) da destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Eles dividiram 36 mil hectares da então fazenda Várzea Alegre, comprada pela Jamic. Nascia a colônia Jamic e a capital dos ovos de Mato Grosso do Sul. 

“Algumas famílias receberam 25 hectares, outras, em lugares mais distantes, de 35 a 50 hectares, e uma terceira parte recebeu até 300 hectares em áreas mais arenosas”, detalhou Issao. “A maioria achou grande o espaço. Diziam: ‘Que vou fazer com 25 hectares? É muito pra plantar hortaliças!’”, rememora.

Sem muito planejamento, começaram, então, a cultivar, além de hortaliças, algodão e arroz. Amargaram prejuízos e alguns desistiram da agricultura. “Em dezembro de 1962, as famílias começaram a trabalhar com produção de ovos”, lembra Kurokawa. De acordo com ele, a proposta da atividade veio da própria Jamic, que tinha necessidade de que o empreendimento japonês em Terenos desse certo.

Inicialmente, as galinhas eram criadas soltas e, em meados da década de 1970, começaram a ser construídos os primeiros galpões para o confinamento das aves. O sistema em gaiolas seguiu paralelo com o da criação das galinhas soltas até o ano de 2000. Desde então, a produção nas granjas é feita somente em gaiolas, o que demanda custos menores.

Para desenvolver a atividade, as famílias japonesas criaram a Camva, que tem, atualmente, a maior parcela do mercado sul-mato-grossenses de ovos. São 26 cooperados com número estimado de quase um milhão de cabeças de aves.

“A organização em cooperativa é importante, porque todos se ajudam”, nota Issao. Com a cooperativa, os custos de produção são amenizados. A Camva produz a ração e a fornece aos associados. Depois, recebe os ovos e paga a diferença. Fora da cooperativa, o granjeiro tem de arcar, sozinho, com as diversas despesas, como ração e vacinação das aves.

No contexto agropecuário sul-mato-grossense, a produção da Camva é expressiva. Conforme o zootecnista Francisco Manabu Suzuki, diretor administrativo da cooperativa, são produzidos, em média, 2,1 mil caixas por dia. Cada caixa tem 360 unidades, totalizando 756 mil ovos diariamente.

Arredondando para a média de 750 mil unidades e considerando expediente diário de oito horas, a produção da Camva corresponde a 1.562 ovos por minuto. Essa quantidade alimentaria 98 brasileiros durante um mês – o consumo per capita médio anual no País foi, em 2016 (último dado), de 190 ovos, de acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

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