TERA-FEIRA, 19 DE JUNHO DE 2018
DATA: 27/12/2017 | FONTE: Redação Memória: Menino acorrentado para mãe doméstica trabalhar chocou Campo Grande nos anos 70 Flagrante foi do repórter fotográfico Roberto Higa, que relembra essa história

Um dos grandes flagrantes do jornalismo em Campo Grande na década 70 foi a descoberta de um garoto, que passou praticamente toda a infância acorrentado, enquanto a mãe, doméstica e sem instrução, saía para trabalhar. O registro da ocorrência é do repórter fotográfico Roberto Higa, que mesmo passados 40 anos, ainda tem as emoções mexidas pela imagem. 

Conforme o profissional recorda, o ano era 1972 e o jornal pelo qual trabalhava era o Diário da Serra, hoje extinto. Campo Grande era uma cidade do interior, sendo Cuiabá a capital e todo poder político e administrativo concentrado lá. Assim, esporte e polícia eram os assuntos que mais rendiam por aqui. 

Higa vivia dentro das viaturas da polícia, pois era assim que se trabalhava: 'saía para a periferia e clicava o que tivesse. Não havia reunião de pauta'', esclarece. E foi justamente em uma dessas caronas na viatura, que viu os policiais receberem uma denúncia de uma pessoa amarrada, em uma casa no bairro Guanandy.

"Era uma casinha de pau a pique, misturada com papelão, sabe’’, detalha o comunicador. O bairro, quando se formou, era uma favela, muito pobre.

Os vizinhos relataram que ouviam barulhos estranhos, mas não sabiam do que se tratava ao certo. Assim que a polícia arrombou a porta, de pronto Higa clicou o momento dramático. Dá pra notar pela imagem que a criança, em toda sua inocência, sorri para a foto, mesmo estando em situação tão degradante. 

Conforme o relato, a mãe era morena e  tinha seus 'trinta e poucos anos'. Ela saía cedo e não tinha hora para voltar. Quando ia, o filho estava dormindo, quando voltava, também. Naquele tempo, direitos trabalhistas ficavam muito distantes das empregadas domésticas, que permaneciam interiamente à disposição dos patrões. 

A casa era muito simples. E o que mais impressionou o fotógrafo foi uma estrutura que a mãe constuiu para que o filho não morresse de sede e fome. 

"Tinha um gancho preso numa parede de madeira, com um arame liso que corria um pedaço da casa’’. Assim o menino podia transitar pelo imóvel, ainda que de forma limitada. 

Mas o que não sai mesmo da cabeça de Higa são as latas redondas de marmelada deixadas para a criança. Uma preenchida com água e outra com comida, assim como se faz com cachorros. Era o que nutria o garoto por um dia inteiro, sabe-se lá como. 

As primeiras impressões do ‘garoto-vítima’, foram as de que ele nasceu ‘normal’, mas que não desenvolveu a fala, nem o raciocínio direito.  

"Ele só engatinhava. Quando ele estava satisfeito, ele sorria, quando ele sentia fome ele ‘grunia’", conta Higa. 

 A mãe e o menino foram levados para o único prédio da polícia à época, que ficava na esquina da rua Sete de Setembro com a 14 de Julho. A partir daí, não se sabe o que ocorreu. 

A lembrança desse caso é inevitável, diz Roberto. Mesmo diante de milhares de flagrantes, esta ficou na memória de quem viu muita coisa na vida. Higa sente uma curiosidade a respeito do rumo que tomou aquele ser humano, ora tratado como animal. 

‘Acho que ele está vivo. Essa criança deve ter seus 54 anos. Eu acho’’, conclui Roberto Higa, com 49 anos de história na fotografia.  

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