TER«A-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
DATA: 18/11/2017 | FONTE: Veja Na reforma ministerial, Temer abraça o fisiologismo Com o discurso de que é preciso aprovar a reforma da Previdência, o governo se abre novamente ao que há de mais atrasado na política brasileira
Ringue - Para ampliar seu apoio no Congresso, o presidente Temer baixa ainda mais a guarda ética do governo (Marcos Corrêa/PR)

O presidente Michel Temer (PMDB) abriu a temporada de caça aos ministérios ao anunciar que poderá trocar dezessete dos 28 ministros nas próximas semanas. São raros os países em que uma mudança governamental de tal magnitude não represente uma profunda alteração de rota no governo, uma transformação radical de objetivos ou alguma coisa de grandes proporções. Em Brasília, no entanto, a troca significa apenas que há muitos, muitos interesses em jogo, mas nenhum deles é o interesse público. Temer não promoverá mudanças em sua equipe com o objetivo de melhorar a prestação de serviços à população e a eficiência do gasto público, mas apenas para reorganizar sua base no Congresso.

Com a reforma, ganharão espaço os seis partidos que integram o chamado Centrão, grupo que sabe como poucos mercadejar seu apoio em troca de cargos e verbas públicas. O fisiologismo, mais uma vez, sairá fortalecido naquilo que tem apenas aparência de “embate político”. O discurso de agora recomenda fechar os olhos para as zonas de sombra a fim de que a reforma da Previdência tenha uma chance de aprovação. E haja zonas de sombra. Desde que a Câmara mandou para o arquivo a segunda denúncia contra Temer, os governistas cobram uma reforma ministerial. Como contrapartida à blindagem do mandato do presidente, exigem novos espaços na Esplanada, abertos com o expurgo do PSDB, legenda cada vez mais dividida quanto à parceria com o governo.

Temer manteve a fatura em banho-­maria até a segunda-feira 13, quando o tucano Bruno Araújo pediu demissão do Ministério das Cidades. A decisão pavimentou o caminho para que as peças sejam reorganizadas no tabuleiro. O Centrão deve assumir o comando da pasta, justamente a sua principal reivindicação. Além disso, deve participar, junto com o PMDB, da escolha do novo ministro da articulação política, em substituição ao tucano Antonio Imbassahy, cuja saída é considerada uma questão de tempo.

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