QUINTA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2018
DATA: 21/09/2017 | FONTE: UOL Com final fraco, saga do Capitão América do mal desperdiça ideias ousadas
Foto Divulgação

Com uma premissa ousada e polêmica - transformar o Capitão América, maior símbolo da liberdade e do sonho americano dos quadrinhos, em um líder nazifascista - a saga "Secret Empire" tinha tudo para figurar entre as grandes obras da Casa de Ideias, mas no fim, decepcionou por deixar suas melhores ideias de lado e cair no lugar-comum das aventuras de super-herois.

Ao posicionar o Capitão América como o Líder Supremo da Hydra, a Marvel parecia mandar uma mensagem importante sobre o extremismo ideológico crescente nos EUA. E ao olhar o noticiário nas últimas semanas, é notável a coragem da Marvel em abordar o fascismo norte-americano através da transformação do seu principal super-heroi.

Ao longo de 18 meses, a saga provocou raiva e discussão entre os fãs de quadrinhos e levantou questionamentos sobre a liberdade criativa dos autores ao tratar de um personagem tão carregado de simbolismo. A história também serviu para reacender o interesse do público no herói. Junto com os mais recentes filmes da Marvel, "Secret Empire" trouxe o Capitão de volta para os holofotes - mas não do jeito que a editora gostaria.

Como tudo acabou

O maior problema de "Secret Empire" foi deixar o debate ideológico de lado e transformar tudo em pancadaria entre super-heróis e na busca por fragmentos do Cubo Cósmico. Quem juntasse primeiro as peças do artefato poderia remodelar a realidade e decidir o que seria do universo Marvel.

É uma saída simples demais e um tanto covarde, pois todas as ações do Steve Rogers da Hydra, inclusive a morte de antigos aliados, perdem o impacto se a realidade pode ser modelada para que nada disso sequer tenha acontecido.

Na última edição de "Secret Empire", o Capitão América do mal consegue reunir quase todos os pedaços do Cubo Cósmico e pode redefinir a realidade, fazendo com que a Hydra vença a Segunda Guerra Mundial e influencie a cultura dos EUA por quase 100 anos. A última peça do Cubo está com Sam Wilson, o Falcão, que passou pela mudança de realidade praticamente inalterado. Em um movimento inesperado, Wilson entrega o fragmento para Rogers, dando ao vilão todo o poder do Cubo Cósmico.

O que o vilão não sabia: em uma dimensão secreta dentro do Cubo, a consciência do Steve Rogers original estava sendo protegida por Kobik, a manifestação infantil da mente do próprio Cubo Cósmico. Com a ajuda do Homem-Formiga, Bucky Barnes consegue trazer Kobik para a Terra. A entidade desfaz todas as mudanças feitas pelo líder da Hydra e cria um novo corpo para o Steve Rogers original.

Como era de se esperar, os dois Capitães lutam, em uma representação do embate entre o Sonho Americano original e uma versão distorcida desses ideais, o extremismo americano. A luta é acompanhada em todo o país e, em uma cena, o vilão tenta pegar o martelo de Thor, mas descobre que não é mais capaz de ergue-lo, pois não possui mais nenhum fragmento do Cubo Cósmico consigo.

O verdadeiro Steve Rogers, porém, é digno de erguer o Mjolnir e faz isso, usando o martelo do Deus do Trovão para arrebentar com o oponente, encerrando o embate.

No epílogo de "Secret Empire", Rogers visita sua versão maligna na prisão, para conhecer melhor o homem que arruinou sua reputação de bastião da liberdade. "Eu sei o que você é. Eu venho lutando contra você por toda a minha vida", diz o Capitão América verdadeiro ao impostor.

O desfecho dá a entender que ainda existem agentes da Hydra infiltrados e que continuarão apoiando seu Líder Supremo, mesmo que ele esteja derrotado e atrás das grades.

Quem é o Capitão América, afinal?

Há uma questão muito mal resolvida em "Secret Empire": quem é o Capitão América verdadeiro? Quem é o impostor?

A questão da identidade é que o Capitão da Hydra era o Steve Rogers original do universo Marvel. O herói invocado por Kobik é um corpo artificial que contém as memórias do Capitão América "do bem". Embora os autores digam que assim que esse Capitão aparece, ele se torna o Steve Rogers real e o Capitão da Hydra, um impostor. Mas nada na história explica ou prova isso.

Da mesma forma, os roteiristas explicaram ao longo desses 18 meses de "Secret Empire" que algumas facções da Hydra são nazistas, enquanto outras, como a que era liderada pelo Capitão América, não são. Mas nos momentos finais, quando Rogers diz ao impostor que "lutou contra ele por toda a vida", o heroi está falando de sua origem, quando lutou contra o Reich nazista na Segunda Guerra Mundial.

Esse "é e não é" nos momentos finais de "Secret Empire" decepciona tanto quanto a facilidade com que o mundo é reconstruído após a prisão do Capitão América da Hydra, esquecendo que os membros da organização continuam presentes no governo e na sociedade, como se eles fossem desistir apenas por verem seu líder ser derrotado numa briga.

Fracasso de público

Além de desagradar com a solução mágica do Cubo Cósmico, "Secret Empire" entrou para a história da Marvel como uma das série com piores vendas na historia da editora. Revistas derivadas, como "Secret Warriors", já estão prestes a ser canceladas.

Após 18 meses, "Secret Empire" custou muito para a Marvel, com vendas baixas e a perda de credibilidade junto aos leitores.

Para recuperar a confiança dos fãs, a Marvel aposta em deixar o Capitão América nas mãos de um de seus melhores autores: Mark Waid vai escrever as próximas historias de Steve Rogers, mostrando como o heroi vai lidar com os EUA pós-Hydra e com as preocupações e dúvidas da sociedade, tudo ilustrado por Chris Samnee, parceiro de Waid em "Demolidor" e "Viúva Negra".

Só o tempo (e a qualidade dessa nova fase) dirá se os fãs conseguirão esquecer e superar "Secret Empire".

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