SEXTA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO DE 2017
DATA: 30/08/2017 | FONTE: FOLHAPRESS Temos que evoluir para poder pensar em título na Copa, diz Renato Augusto
A influência do meio-campista foi conquistada por sua experiência. (Foto: Divulgação)

Discreto fora das quatro linhas e um líder dentro de campo. É assim que Renato Augusto, 29, é visto por jogadores e pela comissão técnica da seleção brasileira, que nesta quinta-feira (31), às 21h45, enfrenta o Equador, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, pelas eliminatórias sul-americanas da Copa de 2018.

A influência do meio-campista foi conquistada por sua experiência e, principalmente, pelo fato de saber exatamente o que Tite deseja.

Profundo conhecedor do estilo de jogo do atual treinador, com quem trabalhou no Corinthians, Renato Augusto admite que se surpreendeu com a rápida adaptação do time ao esquema do técnico.
No entanto, mesmo com a boa fase da seleção, ele acredita que o time ainda precisa evoluir para poder pensar em ganhar o título mundial.

PERGUNTA - Você já havia sido convocado pelo Dunga, e agora é um dos líderes da seleção brasileira do Tite. O que mudou?

RENATO AUGUSTO - O Tite passou aquilo que ele queria e os jogadores entenderam. Eu, por conhecê-lo, sei que ele é muito detalhista, e precisa de tempo para implementar seu estilo. Fiquei surpreso com a rapidez com que ele conseguiu passar o que queria. Ajudou alguns jogadores conhecerem ele. Os que não tinham jogado com o Tite, perguntavam para a gente como ele gostava de jogar. Fizemos esse elo e as coisas aconteceram.

P. - O Brasil precisa ser testada contra seleções europeias?

R.A. - Existem muitas seleções sul-americanas que possuem alguns vícios do futebol europeu. A Argentina e o Uruguai têm 90% dos jogadores na Europa. Precisamos jogar contra equipes europeias, mas o caminho é esse. Estamos mantendo um padrão de atuação, um nível bom. Acho que quando enfrentarmos uma vamos jogar de igual para igual.

P. - Acredita que esse time será campeão mundial?

R.A. - Temos um ano para a Copa do Mundo e temos que evoluir bastante para pensar em título. Estamos numa crescente, mas até chegar a Copa tem muita coisa para acontecer. A reta final será o momento de crescer, e com mais tempo para trabalhar isso vai acontecer.

P. - Qual é a importância do Tite para a sua carreira?

R.A. - Sou muito grato ao Tite. Ele me deu abertura para crescer como homem, como jogador de futebol, principalmente taticamente. Atingi o meu ápice técnico e físico com ele. Foi o melhor treinador que já trabalhei e o vejo como um dos melhores do mundo.

P. - Você se considera um dos líderes da seleção brasileira?

R.A. - Cada um tem a sua responsabilidade. Cada um exerce a liderança de uma forma. O Neymar e o [Philippe] Coutinho são líderes técnicos, mas eles não vão falar muito. Outros têm que fazer isso, como o Thiago Silva, o Miranda. Eu tenho minha parcela, minha contribuição. Hoje, não podemos jogar toda a responsabilidade em apenas um jogador. Eu tenho que assumir a minha responsabilidade. Não sou o único, mas tenho um pouco.

P. - Há 20 meses, você trocou o futebol brasileiro pelo chinês. Você consegue jogar e se preparar em alto nível lá?

R.A. - O futebol chinês vem evoluindo. Procuro aproveitar para crescer em outros aspectos. Não apenas tecnicamente, mas também taticamente, com a leitura de jogo. É uma forma de ficar mais completo como jogador. Me preocupo muito com a parte física e levei um fisioterapeuta comigo para manter a forma. Não fui o único que cheguei [na China] e mantive o nível na seleção. O Paulinho manteve e, aliás, está melhor do que antes.

P. - O futebol brasileiro mudou após o vexame do 7 a 1?

R.A. - Foi uma coisa que aconteceu, que vai ficar a cicatriz. Não podemos mudar isso. Não acompanho muito os jogos do Brasileiro devido à diferença no fuso. Acompanho os gols, as notícias. Os treinadores estão estudando cada vez mais e vejo que tem um crescimento tático. Uma nova safra de treinadores estão surgindo.

P. - O que ainda precisa evoluir no nosso futebol?

R.A. - A troca de treinadores é um certo exagero, mas isso existe em todo o lugar do mundo. É claro que no Brasil acaba sendo um pouco mais. Não é possível um técnico ser demitido em dois meses. O número de jogos também é muito grande. Não podemos jogar 80 vezes no ano. Se tivéssemos elencos grandes, até poderia ser. Mas hoje, as equipes estão enxugando cada vez mais. O período de férias e pré-temporada são ruins. Porém, mesmo que seja devagar, as coisas estão mudando. O futebol brasileiro está crescendo aos poucos.

P. - Você sofreu muitas lesões na carreira. Como está hoje?

R.A. - Em 2014, fiz um trabalho muito bom com o Bruno Mazziotti. Fizemos uma correção muscular, na forma de corrida. Começamos do zero, ele me ensinou a andar de novo. Se tivesse conhecido meu corpo antes, talvez eu teria jogado num clube grande da Europa, mas aí a gente nunca se sabe.

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