QUARTA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2017
DATA: 21/08/2017 | FONTE: UOL Game of Thrones: Excitante à primeira vista, penúltimo episódio decepciona
Foto Divulgação

ATENÇÃO, SPOILERS! Se você não quer saber detalhes da trama do sexto episódio da sétima temporada de "Game of Thrones", não continue a ler

“Que episódio!”, foi a primeira reação quando terminou a sexta e penúltima parte da sétima temporada de “Game of Thrones”. Pulei na cadeira várias vezes,  quase chorei no final, e fiquei impressionada com mais um espetáculo visual --que, by the way, merecia ser visto em uma tela grande, caso você não tenha resistido e baixado o vídeo que vazou durante a semana.

Mas, depois de passada a adrenalina inicial, e pensando mais sobre o assunto, a sensação foi de ter visto o episódio mais decepcionante da temporada até agora, e não tem nada a ver com um dragão morto (ou morto-vivo). Ainda mais pensando que esta era a famigerada penúltima parte, aquela em que as coisas mais dramáticas e/ou surpreendentes acontecem (Casamento Vermelho, Batalha dos Bastardos, lembram?).

Aqui, tudo pareceu muito previsível, as viradas da trama foram quase gratuitas e o senso de perigo nunca chegou ao alto patamar construído por “Game of Thrones” até hoje --afinal, não há por aí muitas produções dispostas a decapitar seu protagonista na primeira temporada, ou matar outros tantos personagens importantes de uma vez (em mais de uma ocasião).

Começamos com o “esquadrão suicida” de Westeros ainda tranquilo, com tempo para diálogos divertidos sobre como os Selvagens não “congelam suas bolas no frio” --“caminhar é bom, lutar é melhor, transar é a melhor coisa”, explica Tormund (Kristofer Hivju)-- e até conversas importantes para acertar as contas do passado, ou não repetir os mesmos erros.

Alguns exemplos: Tormund lembra a Jon (Kit Harrington) que Mance Rayder condenou quase todo seu povo por não se curvar; Tormund e o Cão de Caça (Rory McCann) trocam figurinhas sobre Brienne; Jorah (Iain Glen) e Jon formam um laço através da memória do pai do primeiro, que foi comandante da Patrulha da Noite; e o Rei do Norte tenta entender, com a ajuda de Beric Dondarrion (Richard Dormer), que papel o Lorde da Luz reservou para ele.

São momentos deliciosos para os fãs, que finalmente podem ver alguns de seus personagens preferidos juntos, interagindo, formando laços ou antipatias, mas que também prenunciam que a calma não vai durar muito.

Winterfell

Mas antes vamos voltar mais ao sul, onde as irmãs Stark não estão conseguindo se entender --e nós também não. A postura de Arya (Maisie Williams), de desconfiar tanto de Sansa (Sophie Turner) a ponto de fazer ameaças veladas parece uma volta à menina teimosa da primeira temporada. Tentar justificar a inimizade de agora com as picuinhas da infância tem tanta coerência quanto a velocidade em que os personagens estão viajando por Westeros nesta temporada.

Se uma carta escrita anos atrás por uma Sansa que era nada menos do que refém dos Lannisters, pedindo para Robb se curvar a Joffrey, foi suficiente para Arya acreditar que a irmã é uma traidora, então a caçula Stark não aprendeu nada em sua jornada sozinha por Westeros e além. A esta altura, depois de tudo o que passou, a jovem assassina deveria ter entendido que o mundo é complexo e que as pessoas têm diferentes estratégias para sobreviver.

Até entendemos que é preciso alguma intriga na relação das irmãs --duas pessoas tão diferentes, que precisam aprender a ser aliadas--, mas a saída encontrada é rasa e pouco convincente. E a reação de Sansa, de confidenciar a Mindinho (Aidan Gillen) o comportamento estranho da irmã, é ainda menos coerente, já que, até agora, ela vinha mostrando nada mais do que desprezo por ele.

Pedra do Dragão

Uma das poucas partes satisfatórias do episódio se dá mais no lar dos Targaryen, em uma conversa entre Tyrion (Peter Dinklage) e Daenerys (Emilia Clarke) em que ele tenta demonstrar que ela precisa pensar além do imediato e se preocupar com seu legado, além de tentar encontrar uma maneira diferente de governar do que a adotada por seus antepassados e por todos que vieram depois. Os dois também falam sobre estratégias para a possível visita a Porto Real, e o encontro com Cersei.

A outra observação importante que a Mão da Rainha faz é sobre nosso ship preferido do momento, e Tyrion já percebeu que não só Jon não conseguia tirar os olhos de Dany, mas ela também está caidinha pelo Rei do Norte.

O diálogo rende uma das falas mais divertidas de Daenerys, tão endurecida nesta temporada: “ele é muito baixinho”. Porém, é para salvar o “baixinho” que ela vai, em breve, contrariar os conselhos de sua Mão e rumar para o “lugar mais perigoso do mundo”. Mas vamos voltar às terras selvagens antes.

Norte

A paz além da Muralha dura pouco. Logo o grupo encontra um urso morto-vivo e, em seguida, um pequeno bando de criaturas e um Caminhante Branco, derrotados com certa facilidade. A única vítima, não mortal, é Thoros de Myr (Paul Kaye). Mas o jogo realmente vira pouco depois, quando eles são cercados pelo Exército dos Mortos e escapam, momentaneamente, graças a uma ilha em um lago congelado. No meio da correria, despacham Gendry de volta para Atalaialeste com a missão de mandar um corvo pedindo ajuda a Daenerys.

É aí que a coisa começa a ficar desinteressante e as soluções, fáceis, mesmo que a ideia de dragões além da Muralha pareça excitante, à primeira vista. Se Dany está a caminho, então o risco é muito pouco real, e as chances dos nossos heróis escaparem são altas demais.

É claro que eles são novamente cercados pelas criaturas antes que a cavalaria chegue e, tirando Thoros, que não sobrevive ao frio da noite (acabaram as ressurreições, pessoal!), ninguém mais parece realmente em perigo. Não há o mesmo senso de urgência de uma Batalha dos Bastardos, ou mesmo de Durolar. Tormund é o único que tem sua vida ameaçada de verdade e, por um segundo, chegamos a acreditar que ele nunca mais verá sua musa Brienne.

Parece que “Game of Thrones” elevou as apostas alto demais para conseguir manter o mesmo patamar das temporadas anteriores. E, por mais que seja triste, acho que os fãs entenderiam ter que se despedir de alguém querido se isso desse mais dramaticidade à reta final da série.

Não é o que acontece, e quando Danerys e seus dragões chegam, fica tudo fácil demais, e até passa pela nossa cabeça: “acabou, é só tacar fogo em todo mundo que não tem mais guerra, nem história”.

Obviamente não é tão simples assim, mas o motivo de não ser tão simples é meio bobo --ou alguém entendeu por que Jon tinha que se afastar de Drogon e do grupo para lutar com criaturas que pareciam estar a, sei lá, uns 30 metros de distância?

E deixá-lo para trás, quase morto, afundando no lago congelado, para ser salvo pelo gongo, digo, pelo tio Ben "ex Machina Stark" (Joseph Mawle) (nota: Deus ex machina é uma solução improvável e mirabolante para uma história), não enganou ninguém (ou enganou?).

A esta altura, já sabemos que ele é importante o suficiente para não morrer de novo. Ainda mais agora que não tem quem o ressuscite. O Jogo dos Tronos hoje gira em torno do Rei do Norte e da Mãe dos Dragões, e, se um dos dois morrer, vai ser só no final.

Até o ataque do Rei da Noite a Viseryon e a transformação do dragão em morto-vivo no fim do episódio parece pouco surpreendente --é uma das teorias de fãs que circulam pela internet, e nem é a mais interessante--, apesar de ter um impacto real no que vai acontecer daqui pra frente.

Resumindo, tudo isso só para Daenerys ver e acreditar que os Outros existem, para ela e Jon se apaixonarem de vez (nada como um risco de morte para as pessoas demonstrarem seus sentimentos!) e para entregar de bandeja um dragão ao Rei da Noite e reequilibrar um pouco a balança. E partindo da ideia mais idiota já levada a cabo na série: capturar uma criatura para convencer Cersei a fazer uma trégua.

Decepcionante é a palavra.

 

 

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